Inércia brasiliense
Domingo.
Dia de missa, ou de praia. A cidade parada, esperando amanhã.
Vou recolhendo no ar do meu silêncio as palavras que me foram brotando.
Mais um a expressar a própria experiência, dir-se-ía - se alguém fôsse.
Na falta de melhor opção, vou acumulando as percepções em palavras.
Carros deslizam nas ruas, como ratos furtivos. O plec-plec do teclado.
A biologia na TV. Ganires.
A única pergunta válida talvez seja : mas afinal, porque é que fazemos o que fazemos ?
O continuar e o desistir: possibilidades constantes de resultados opostos.
Quem optar, saberá do que desistiu ?
Quem for dos primeiros, terá companhia ?
A chuva vem, a natureza deixa.
Um homem de barba torta se aproxima.
O fim das águas está próximo, espero ele dizer.
Apenas disse, ou pensei ouvir
a Oração universal dos Últimos Dias de Brasília :
Constitua-mo-nos seres íntegros, depostos de maldades,
aproveitemos os rios e suas chuvas, os sexos e as frutas
o que veio antes e o que virá depois, enquanto tudo passar
vamos olhar para todos os lados e reparar os ôcos da realidade.
Olhou-me e afastou-se com a estranheza característica dos selenitas.
Depois reinou a mais perfeita inércia. O sempre, pleno.
Escrito por los inertes às 18h37
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