O VENDEDOR DE TAPETES
O vendedor de tapetes insistiu, ante a recusa da turista.
“Essa aqui é uma promoção imperdível. Vou vender para a madame pela metade do preço”
Ela, ainda tentando ser educada:
“Não compro coisas por serem mais baratas. A última coisa de que preciso agora é de um tapete.”
O vendedor não se deu por vencido e tentou convencê-la, ou melhor, confundi-la.
“ Muitas vezes o que não queremos é apenas o que achamos que não queremos. Temos sempre que pensar com cuidado, freguesa. Não devemos ser precipitados. Alguém pode se declarar infeliz sem estar certo disso.”
“ Mas eu não estou feliz nem infeliz. E isso não vem ao caso”, ela retrucou irritada, achando um absurdo alguém usar um argumento tão tolo. Era um grande incômodo dar ouvidos a um imbecil daqueles, não queria saber de mais nada.
Ela escapou rapidamente. Na verdade sentia-se mesmo infeliz. Viajava sozinha, buscava livrar-se momentaneamente de seus problemas. Ansiava por esquecê-los o quanto antes e entendeu que precisava ainda de um tempo que não conseguia dimensionar.
Seguiu pela praia deserta, a brisa fria e úmida era muito desagradável e ela se esforçava para retornar à pousada o mais rápido possível.
Começou a maldizer o tempo. Falava sozinha quando uma lufada mais forte quase a derrubou. Era o vendedor que reapareceu. Ele se exibia em rasantes naquele tapete voador.
Escrito por los inertes às 23h00
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