O FLANADOR
Ele estava cansado, havia caminhado muito, e desde algum tempo não fazia outra coisa, andar, flanar como diriam.
Um flaneur autêntico não sofre de bloqueios mentais, pois não há premeditações nem impasses. Não tem contas a acertar. Um flaneur procura os caminhos periféricos e ignora detalhes que o trariam de volta. Caminha atento, apesar da recusa em seguir qualquer pista. Um flaneur desconhece aonde quer chegar, na verdade não quer chegar a lugar algum. Na verdade, nenhum lugar precisa ser alcançado.
Deteve-se por alguns instantes. Observava o mar que lambia os rochedos, as formações úmidas que preparavam cortinas, as espumas e seus desenhos que escorriam nas pedras, os arrecifes lustrados pelos reflexos da água. Nada ali se repetia. Enfim sentou-se, apenas por causa do cansaço. Ganhar a vida não é nada fácil, murmurou.

Escrito por los inertes às 19h53
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